I DID IT MY WAY (EU FIZ DO MEU JEITO)
- HUMBERTO BARROSO da FONSECA

- 2 de mar.
- 2 min de leitura

Escutando um podcast, um dos convidados foi questionado sobre uma música que marcava sua trajetória. Ele respondeu: My Way, de Frank Sinatra.
Coloquei para ouvir novamente — mas dessa vez com atenção total à letra. E foi impossível não conectar com um momento muito específico da minha carreira: aquele em que, silenciosamente, percebemos que um ciclo está se encerrando.
Há uma sensibilidade que só a maturidade traz. Com o tempo, aprendemos a ler os movimentos da organização, as mudanças de contexto, os sinais que antes passariam despercebidos. E então a frase ecoa:
“And now, the end is near, and so I face the final curtain.”
Agora que o fim está próximo, encaro o último ato.
Encarar o “último ato” não é sobre derrota. É sobre consciência. É sobre entender que ciclos se fecham — e que isso faz parte de qualquer trajetória relevante.
Depois vem o trecho que mais me representa:
“I've lived a life that's full… I did it my way.”
Vivi uma vida completa… fiz do meu jeito.
“Do meu jeito” nunca significou vaidade ou teimosia. Significou princípios. Significou liderar assumindo responsabilidade integral pelos resultados. Significou não terceirizar culpa. Significou tomar decisões difíceis quando era necessário.
"Regrets, I've had a few, But then again, too few to mention, I did what i had to do"
Arrependimentos tive alguns, mas por outro lado, muito poucos para citar, eu fiz o que eu tive que fazer.
Sim, tive arrependimentos. Tive meu pior ano em um momento especialmente desafiador da empresa. Teria feito algumas coisas diferentes? Sim. Mas poucas. Porque mesmo nos erros, houve integridade na intenção e coragem na ação.
E há um trecho que sempre me arrepia:
“When I bit off more than I could chew… I faced it all and I stood tall.”
Quando abracei mais do que podia suportar… enfrentei tudo e permaneci de pé.
Lembro exatamente quando aceitei um desafio de enorme complexidade e impacto organizacional.
Era maior do que qualquer responsabilidade que eu já havia assumido.
Exigia maturidade, visão sistêmica e decisões duras.
Era grande demais.
Complexo demais.
Desconfortável demais.
Mas crescimento quase nunca acontece na zona de conforto.
No final, o que fica?
“The record shows I took the blows and did it my way.”
O registro mostra que eu apanhei… e fiz do meu jeito.
Levei golpes. Tomei decisões impopulares. Sustentei posições difíceis. Mas mantive aquilo que considero inegociável: meus princípios de liderança.
Novos desafios virão — sempre vêm. E o que devemos fazer quando um ciclo se fecha?
✔ Registrar as lições aprendidas.
✔ Reconhecer os erros com humildade.
✔ Celebrar as conquistas com gratidão.
✔ E, acima de tudo, preservar aquilo que nos torna únicos: nossos valores e convicções.
Ciclos terminam. A identidade permanece.
E que, ao olhar para trás, possamos dizer com serenidade:
Eu fiz do meu jeito.




"Levei golpes. Tomei decisões impopulares. Sustentei posições difíceis. Mas mantive aquilo que considero inegociável: meus princípios de liderança."
Poderoso demais.